Assim como outros setores, o franchising brasileiro vem sofrendo os impactos da pandemia de COVID-19. Franqueados e franqueadores estão tendo que se reinventar em pouquíssimo tempo para atender aos novos hábitos de consumo da população e, ao mesmo tempo, respeitar as orientações que visam o distanciamento social.

Quais os principais impactos para o franchising na pandemia de COVID-19?

O primeiro deles, certamente, é a queda nas vendas. Os números do setor estão sendo muito atingidos pelo fechamento ou funcionamento restrito de shoppings centers — um dos principais pontos de venda para franquias.

“Isso fez com que se diminuíssem o movimento das pessoas e, consequentemente, as vendas da rede de franquias”, diz a professora e coordenadora de cursos do LABFIN.PROVAR – FIA, Renata Nieto.

Outro impacto diz respeito ao abastecimento. Muitos fornecedores paralisaram ou diminuíram o ritmo de suas atividades em cumprimento às recomendações das autoridades nacionais e internacionais de saúde, além dos protocolos definidos para cada estado brasileiro.

“Essa paralisação ou diminuição leva a um atraso na entrega de insumos e matéria-prima para a atividade dos franqueados”, comenta Renata.

Com o abastecimento prejudicado, há, consequentemente, uma diminuição de estoque e matéria-prima para que o franqueado possa efetivar a venda de seus produtos.

Além disso, outro ponto crítico é a suspensão ou redução dos treinamentos e workshops entre franqueadores e seus franqueados, principalmente para revisão da gestão das operações.

Devido ao distanciamento social, mesmo que esses treinamentos estejam acontecendo remotamente, acabam por não ter a mesma efetividade.

“Então, a falta de comunicação entre franqueados e franqueadores pode ser grande, e isso leva a uma diminuição, por exemplo, da efetividade das ações de marketing e o aumento do número de ruídos”, destaca Renata.

Como os profissionais do franchising podem enfrentar os desafios durante e pós-pandemia de COVID-19?

Resistir financeiramente à crise é um dos grandes desafios não só para o setor de franquias, mas para todos os segmentos, empresas e indivíduos no atual cenário e no pós COVID-19.

Mesmo sendo difícil projetar ações futuras em meio a tantas incertezas, listamos abaixo, com a ajuda da Profª Renata Nieto, algumas dicas que podem orientar os profissionais do franchising a pensarem suas ações de enfrentamento a tantos desafios.

Adaptar-se a um novo modelo operacional

Já se tem falado bastante de um “novo normal” que surge a partir da crise de COVID-19. Tudo parece diferente e mesmo boa parte daquilo que considerávamos o mais normal possível se modificou.

Isso significa que é preciso olhar o que se fazia até o advento da pandemia e entender o que precisa ser alterado.

Ou seja, a urgência do momento para o setor de franquias é se adaptar a um novo modelo operacional.

“Algumas lojas vão ter que mudar seus layouts para poder acomodar novos protocolos de segurança. Talvez elas tenham que ficar maiores e os quiosques, menores. Enfim, os franqueadores e franqueados vão ter que se adaptar a essa nova organização e disposição”, reflete Renata.


Garantir a segurança de funcionários e clientes

Manter funcionários e clientes seguros e protegidos da doença é fundamental para que a adaptação a esse novo modelo aconteça da melhor forma.

Isso só será possível se forem cumpridas atenta e rigorosamente as novas regras de higiene e distanciamento tanto pelos colaboradores quanto pelos clientes.

“É importante manter os funcionários devidamente treinados, além de fazer monitoramento de saúde da sua rede, verificando se nenhum funcionário ou cliente vai se contaminar durante o trabalho ou no momento da compra”, reforça Renata.

Além de minimizar os riscos de contágio, tais procedimentos mostram ao público o compromisso da empresa com as necessidades do cenário atual e pós-pandemia, o que fortalece a reputação da marca.

Investir em estratégias diferenciadas de vendas e marketing

O franchising pode se recuperar mais rapidamente da crise se desenvolver estratégias diferenciadas de vendas e marketing.

Ações bem pensadas e estruturadas de marketing podem projetar e incrementar as vendas”, aponta Renata.

Devido à escassez de capital em muitos segmentos de franquias, mais do que nunca é necessário movimentar a captura de novos clientes.

Nesse sentido, o setor deve trabalhar a conversão de campanhas de marketing, assim como a análise de desempenho de todas essas ações e a inclusão constante de novos clientes ao CRM do negócio.

Porém, desenhar e implementar um modelo de negócios que valorize a presença digital não significa dar menos importância ao componente físico. Pelo contrário, o online e o offline podem — e devem — convergir cada vez mais.

Acompanhar os resultados financeiros

Talvez alguns franqueados não fizessem isso antes da pandemia, mas agora passa a ser uma exigência o acompanhamento dos resultados financeiros do próprio negócio, seja ele de que tamanho for.

Constantemente, para acompanhar esses resultados financeiros, é preciso realizar uma simulação semanal da captação dos seus recursos.

Ou seja, é necessário que o franqueado olhe para o fluxo de caixa e entenda o tanto de reserva que ele já tem para pagar o aluguel e os funcionários.

Assim, ele pode ter mais clareza para avaliar se e quando será preciso recorrer a alguma proposta de linha de crédito que tem sido facilitada pelos bancos para o empresariado ou a alguma medida provisória concessionada pelo governo no contexto da crise de COVID-19.

Uma outra medida é trabalhar com a LAJIDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), termo bastante conhecido no franchising.

É importante medir uma LAJIDA para que o franqueado não perca 20% das suas vendas ou mais.

Outro ponto é estabelecer uma relação dívida/patrimônio. Ela deve ficar abaixo de 0,75. O objetivo é garantir que o empresário tenha dinheiro suficiente no futuro próximo para pagar as dívidas contraídas.

“Para mim, ‘novo normal’ no franchising significa aperfeiçoar o modelo operacional adotado até então. Nesse sentido, eu acho importante trabalhar o novo processo operacional atendendo a essa nova situação e aos requisitos de segurança, porque isso vai evidenciar a sua marca”, pontua Renata.

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