Assim como a governança corporativa, um tema que tem sido colocado no centro das discussões empresariais é o compliance. Você sabe o que ele abrange?
Mais do que uma mera imposição jurídica, as práticas de compliance visam a construção de uma cultura empresarial ética.
Para isso, é importante envolver e engajar todos os colaboradores na adoção dessas práticas, de modo a fortalecer a organização como um todo e prevenir desgastes na sua reputação diante dos diferentes stakeholders, em virtude de eventuais condutas inadequadas, capazes de comprometer o valor da empresa.
Podemos dizer que o objetivo maior do compliance é garantir que o comportamento dos diferentes agentes de uma organização esteja em conformidade com as normas éticas, tanto internas quanto externas, estabelecidas.
Essa garantia só se concretiza à medida que o ambiente organizacional permite a seus colaboradores expressarem seus pontos de vista, apontando, inclusive, possíveis problemas e desvios de conduta.
A importância do compliance na gestão financeira das empresas
Indispensável para os processos decisórios, a gestão financeira deve ser acompanhada de um rigoroso e atento cumprimento de políticas, leis e regulamentos, para que, de fato, as decisões possam ser tomadas de modo assertivo e eficiente. E é justamente ao compliance aplicado a finanças que cabe a tarefa de garantir a fidedignidade de todas as transações financeiras de uma empresa.
Nesse sentido, uma gestão de negócios balizada no compliance financeiro previne uma empresa, por exemplo, de fraudes tanto internas quanto externas e do crime de lavagem de dinheiro.
Para que você entenda um pouco mais sobre a importância do compliance na gestão financeira das organizações, trazemos abaixo os principais trechos do bate-papo que tivemos com a professora e coordenadora de cursos da FIA Magali Aparecida Camazano, que é especialista no assunto.
Como o conceito de compliance se aplica à gestão financeira e com que finalidade?
Estar em compliance significa estar aderente a normas internas e externas à organização, tais como políticas, normativos, leis e regulamentos.
Neste sentido, o compliance financeiro se volta aos processos financeiros (toda natureza de transações financeiras) das organizações, visando assegurar sua fidedignidade e integridade, além de conferir segurança às transações e afastar o risco de ocorrências de fraudes e o crime de lavagem de dinheiro.
Quais os principais desafios do compliance aplicado à gestão financeira?
Com o advento da pandemia da Covid-19, inúmeras empresas precisaram adaptar, em tempo recorde, seus processos operacionais, visando à continuidade dos negócios, levando à exacerbação de riscos diversos, entre os quais o risco operacional (risco de perdas provenientes de processos, pessoas e TI), haja vista a realização de trabalho remoto.
Por consequência, não só surgiram novos riscos, mas também ocorreu uma “flexibilização” natural nos controles habitualmente praticados pelas empresas e pessoas, seja pela impossibilidade de acessos adequados e seguros a sistemas e documentos, bem como pela improvisação na realização de processos e atividades. Referido cenário pode dificultar/inviabilizar determinadas atividades de monitoramento de compliance.
Quais os ganhos que uma empresa pode ter ao balizar sua gestão na prática do compliance financeiro?
Os benefícios são vários, com especial destaque à prevenção aos crimes de lavagem de dinheiro e fraudes, internas e externas. Tais eventos são críticos para qualquer organização, devido ao risco de imagem, descontinuidade de negócios e quebra de relações comerciais e de negócios.
Quais são os profissionais que geralmente se ocupam do compliance financeiro?
Os profissionais normalmente estão alocados em áreas de controles internos e compliance e, por vezes, auditoria de qualidade. Suas atividades estão voltadas à avaliação do processo de gestão de riscos conduzido pelas pessoas envolvidas nos processos financeiros, observância às políticas, diplomas legais e ambiente de controles internos (componentes da estrutura de governança corporativa).
Quais conhecimentos são indispensáveis para esses profissionais?
Os principais traços requeridos ao profissional são a visão de riscos, domínio da legislação correlata (como, por exemplo, Lei de prevenção à lavagem de dinheiro e Lei anticorrupção), visão estratégica, conhecimento do negócio etc.
Fonte: LABFIN.PROVAR – FIA
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