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Infodemia em tempos de coronavírus

jun 2, 2020 | Inovação | 0 Comentários

A infodemia em tempos de coronavírus tem, infelizmente, acompanhado a repercussão da doença, sobretudo nas redes sociais e em aplicativos de mensagem

Todos nós temos lido, escutado e falado a expressão “pandemia” diversas vezes ao dia nos últimos meses. Desde o surgimento e disseminação do novo coronavírus por todo o mundo, o termo tem ocupado os noticiários, as redes sociais e as conversas informais de todas as pessoas. Mas você já ouviu falar de “infodemia”?

Mesmo que o seu uso seja bem menos frequente que o da primeira expressão, a infodemia tem, infelizmente, acompanhado a repercussão da doença, sobretudo nas redes sociais e em aplicativos de mensagem.

O que é infodemia?

Já deve ter chegado até você algum conteúdo via WhatsApp em que se compartilha uma cura milagrosa para o novo coronavírus.

Ou você pode ter visto em seu feed de notícias no Facebook ou Twitter alguma postagem em que se questionava a existência da doença há algumas semanas.

Ainda, algum contato pode ter compartilhado com você, também via mídias sociais, algum texto em que se elabora uma teoria conspiratória de que a pandemia foi inventada para gerar lucros.

Tudo isso pode ser chamado de infodemia. Trata-se, em outras palavras, de desinformação ou fake news — termo que se popularizou nos últimos anos —, referindo-se, também, aos crimes digitais em saúde.

“A infodemia vai desde a prestação de informações incorretas sobre doença e tratamentos, venda de falsas curas online até ataque cibernético nos sistemas de informações críticas de hospitais”, explica Cesar Bentim, publicitário, profissional de marketing, consultor e empreendedor com mais de 25 anos de atuação no segmento farmacêutico.

Expertise na área da saúde para além-mar

Graduado em Comunicação Social/Planejamento de Propaganda e pós-graduado em Administração de Marketing pela ESPM e em Marketing Digital pela Universidade Europeia (Lisboa), Bentim tem vivido na capital portuguesa há mais de um ano.

Lá tem desenvolvido a Thereus Health, uma plataforma de comunicação em saúde para doenças desgastantes, com foco em Alzheimer, como mais uma etapa de sua trajetória na área da saúde.

Depois de 25 anos de atuação em marketing, novos negócios e vendas dentro da indústria farmacêutica, Bentim deu início à própria consultoria em 2016.

Prestando mentoria a startups no Brasil desde a mesma época, foi estudar o ecossistema europeu pouco tempo depois.

“Nisso, comecei a perceber muitos ‘ruídos’ no bom sentido em Portugal e, após o contato com uma incubadora local, passei a prestar mentoria aqui”, conta ele.

Após algum sucesso nesse processo, ele foi convidado a entrar no programa da incubadora Tec Labs — vinculada à Universidade de Lisboa — e teve seu projeto de montar uma startup aprovado.

Por conta da implantação da startup, Bentim se mudou para Lisboa através do programa do governo português de apoio a empreendedores estrangeiros StartUP Visa.

“Estamos agora com o MVP (Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável) em Alzheimer exclusivamente para Portugal. O desenvolvimento da audiência é o foco neste momento”, comenta ele.

Portugal na luta contra a pandemia

Vivendo do outro lado do oceano nestes tempos de pandemia, Cesar destaca a importância da presença estratégica do Estado e a adesão consciente da população ao isolamento social para a contenção do vírus em Portugal — segundo país europeu com o maior número de idosos.

Aliás, Portugal também figura no quarto lugar entre os países com maior incidência de Alzheimer no mundo. Tal realidade foi uma das razões que o levaram a focar as ações de sua plataforma de comunicação na conscientização e no auxílio ao tratamento da doença.

Levando em conta o atual cenário de pandemia, a startup de Bentim passou a incluir em seus materiais online com foco em Alzheimer informações relacionadas à COVID-19 para aumentar a relevância de suas peças.

Com isso, no entanto, veio a surpresa da falta de engajamento de tais conteúdos mesmo via mídias pagas como Facebook Ads e Google Ads.

O episódio se explicava justamente pelo recrudescimento dos filtros de controle e combate de tais ferramentas à infodemia.

Combate à infodemia

Com o aumento da disseminação de fake news e ocorrência de crimes digitais relacionados à pandemia, conteúdos sobre o tema — mesmo aqueles que, como os de Bentim, veiculam mensagens relevantes e idôneas — têm passado por análises mais rigorosas nas plataformas de publicidade e nas redes sociais nas últimas semanas.

“A OMS está intensificando a luta contra proliferação destes crimes, com uma equipe de ‘caçadores de mitos’, trabalhando em conjunto com empresas de ferramentas de busca na internet e mídia social”, comenta Bentim.

No cenário pós-pandemia, ele acredita que a atenção e o combate à infodemia tendem a crescer dentro e fora das redes.

Nesse sentido, cabe a todos nós, enquanto consumidores de informação, exercitarmos nosso senso crítico e nossa responsabilidade para ajudarmos na luta contra a desinformação agora e no futuro pós COVID-19.

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